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Jacó,
com a idade de 77 anos e solteiro, teve que sair da Palestina e se refugiar
na casa de parentes na Mesopotâmia. Lá trabalhou, casou e, depois de 20
anos, voltou com 11 filhos e rico para a Palestina.
Nessa longa peregrinação de volta, parando quase em cada lugar onde seu avô
Abraão havia morado, nasceu seu 12º filho. Deveria ser um motivo de muita
alegria na família, porque esse número traz, para os judeus, a idéia de vida
completa, no limite do seu desenvolvimento. Também porque era mais um filho
de Raquel, a esposa por quem Jacó trabalhara 14 anos a fim de conseguir
casar-se com ela. Ela era muito bonita, doce, e seu outro filho, José, de
tão inteligente e educado, era o preferido de Jacó.
Mas a tristeza tomou conta daquele acampamento, porque Raquel, já com 50
anos, morreu pouco depois que o garoto nasceu. Momentos antes, ela ainda
pediu que lhe dessem o nome de Benoni, que significa “filho da minha dor”.
Jacó, entretanto, mudou o nome para Benjamim, “o filho da minha mão
direita”. Ele não queria
uma lembrança triste. Aquele filho, nascido quando ele já estava com mais de
100 anos, seria seu apoio, sua alegria na velhice.
Assim cresceu Benjamim, órfão de mãe, mas muito amado pelo velho pai e pelo
seu irmão José, que tinha uns 14 ou 15 anos a mais que ele. Os outros 10
irmãos tinham mais idade ainda, mas esses não gostavam dos dois filhos de
Raquel.
Com 17 anos, José quis começar a trabalhar, não por necessidade, mas porque
gostava de ser útil. Ele ajudava a cuidar dos rebanhos. Um dia, os outros
irmãos, malvados, extravasando toda a sua ira, venderam José como escravo
para ser levado ao Egito, um país distante. E disseram ao pai que um urso
havia matado José.
Jacó quase morreu de desgosto, mas consolou-se com o pequeno Benjamim.
Esperto, educado, religioso, era o verdadeiro arrimo do pai.
Passaram-se mais de 20 anos, até chegar a notícia de que José não havia
morrido; pelo contrário, estava muito bem no Egito, onde era o
governador-geral daquele que era o maior país da época. E a primeira pessoa
que José quis ver foi exatamente seu amado irmão Benjamim. Depois, José
levou o velho pai e todos os irmãos para morarem no Egito.
Benjamim, o órfão que não conheceu sua mãe e cuidou do pai e o animou nos
momentos mais difíceis, nem por isso tornou-se amargurado ou revoltado.
Enfrentou a vida e venceu. Quando casou, teve dez filhos e formou uma das
tribos mais importantes de Israel.
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